Não é O QUE falamos, mas COMO falamos

março 10, 2011 at 12:17 pm 4 comentários

O blog é sobre comunicação, ok. Mas num horizonte amplo, tudo é comunicação e por isso falarei hoje da comunicação ‘não corporativa’ e, nesse caso (como vcs verão abaixo), fundamental. A comunicação com as crianças.

Recebi hoje um texto de um educador chamado Marcos Meier que trata de uma questão simples, muito simples, extremamente trivial. Mas que vale refletir. Ele diz que, entre outras coisas, temos que ficar atentos à forma que usamos para elogiar nossas crianças –  sejam elas filhos, parentes, amigos ou alunos. Parece óbvio, e realmente é. Mas enxergar o óbvio às vezes é difícil…

Tendência natural entre quase 100% dos pais de hoje (se vc é pai ou mãe, há de concordar), o elogio ‘rasgado’, gratuito e frequente sempre me pareceu uma excelente forma de manter a auto-estima das crianças e, consequentemente, torná-las mais seguras. Sou, particularmente, praticante fiel. Não fico uma hora sequer sem um adjetivo como “inteligente”, “lindo”, “esperto”, “carinhoso”, etc.

O que o educador defente é que não devemos elogiar o indivíduo, mas sim seus esforços. Por exemplo, ao invés de dizer que a criança é muito inteligente quando termina a lição de casa, temos que elogiar seu esforço em fazê-la. Assim mesmo, mostrando que mesmo em uma tarefa fácil, sem esforço não há recompensa.

O texto segue abaixo, mas a conclusão dele é que crianças muito seguras de si tornam-se adultos sem resistência às frustrações que a vida, irremediavelmente, traz. Crianças que aprendem a se esforçar, ao contrário, são “treinadas” para que, mesmo em situações adversas, saibam que o esforço sempre traz algum resultado, mesmo que não seja exatamente o esperado.

Enfim, vale a reflexão. Se o professor Meier está mesmo certo (e acho que está), acabo de perceber que faço TUDO errado! Mas é sempre tempo de olhar as coisas de outra maneira!

Bjs e até a próxima!

Simone

O TEXTO:

Elogie do jeito certo

Por Marcos Meier


Recentemente um grupo de crianças pequenas passou por um teste muito interessante. Psicólogos propuseram uma tarefa de média dificuldade, mas que as crianças executariam sem grandes problemas. Todas conseguiram terminar a tarefa depois de certo tempo. Em seguida, foram divididas em dois grupos. O grupo A foi elogiado quanto à inteligência. “Uau, como você é inteligente!”, “Que esperta que você é!”, “Menino, que orgulho de ver o quanto você é genial!” … e outros elogios à capacidade de cada criança. O grupo B foi elogiado quanto ao esforço. “Menina, gostei de ver o quanto você se dedicou na tarefa!”, “Menino, que legal ter visto seu esforço!”, “Uau, que persistência você mostrou. Tentou, tentou, até conseguir, muito bem!” … e outros elogios relacionados ao trabalho realizado e não à criança em si. Depois dessa fase, uma nova tarefa de dificuldade equivalente à primeira foi proposta aos dois grupos de crianças. Elas não eram obrigadas a cumprir a tarefa, podiam escolher se queriam ou não, sem qualquer tipo de consequência.
As respostas das crianças surpreenderam. A grande maioria das crianças do grupo A simplesmente recusou a segunda tarefa. As crianças não queriam nem tentar. Por outro lado, quase todas as crianças do grupo B aceitaram tentar. Não recusaram a nova tarefa. A explicação é simples e nos ajuda a compreender como elogiar nossos filhos e nossos alunos. O ser humano foge de experiências que possam ser desagradáveis. As crianças “inteligentes” não querem o sentimento de frustração de não conseguir realizar uma tarefa, pois isso pode modificar a imagem que os adultos têm delas. “Se eu não conseguir, eles não vão mais dizer que sou inteligente”. As “esforçadas” não ficam com medo de tentar, pois mesmo que não consigam é o esforço que será elogiado. Nós sabemos de muitos casos de jovens considerados inteligentes não passarem no vestibular, enquanto aqueles jovens “médios” obterem a vitória. Os inteligentes confiaram demais em sua capacidade e deixaram de se preparar adequadamente. Os outros sabiam que se não tivessem um excelente preparo não seriam aprovados e, justamente por isso, estudaram mais, resolveram mais exercícios, leram e se aprofundaram melhor em cada uma das disciplinas.
No entanto, isso não é tudo. Além dos conteúdos escolares, nossos filhos precisam aprender valores, princípios e ética. Precisam respeitar as diferenças, lutar contra o preconceito, adquirir hábitos saudáveis e construir amizades sólidas. Não se consegue nada disso por meio de elogios frágeis, focados no ego de cada um. É preciso que sejam incentivados constantemente a agir assim. Isso se faz com elogios, feedbacks e incentivos ao comportamento esperado. Nossos filhos precisam ouvir frases como: “Que bom que você o ajudou, você tem um bom coração”, “parabéns meu filho por ter dito a verdade apesar de estar com medo… você é ético”, “filha, fiquei orgulhoso de você ter dado atenção àquela menina nova ao invés de tê-la excluído como algumas colegas fizeram… você é solidária”, “isso mesmo filho, deixar seu primo brincar com seu vídeogame foi muito legal, você é um bom amigo”. Elogios desse tipo estão fundamentados em ações reais e reforçam o comportamento da criança que tenderá a repetí-los. Isso não é “tática” paterna, é incentivo real. Por outro lado, elogiar superficialidades é uma tendência atual. “Que linda você é, amor”, “acho você muito esperto meu filho”, “Como você é charmoso”, “que cabelo lindo”, “seus olhos são tão bonitos”. Elogios como esses não estão baseados em fatos, nem em comportamentos, nem em atitudes. São apenas impressões e interpretações dos adultos. Em breve, crianças como essas estarão fazendo chantagens emocionais, birras, manhas e “charminhos”. Quando adultos, não terão desenvolvido resistência à frustração e a fragilidade emocional estará presente. Homens e mulheres de personalidade forte e saudável são como carvalhos que crescem nas encostas de montanhas. Os ventos não os derrubam, pois cresceram na presença deles. São frondosos, copas grandes e o verde de suas folhas mostra vigor, pois se alimentaram da terra fértil.

Que nossos filhos recebam o vento e a terra adubada por nossa postura firme e carinhosa.

 Marcos Meier é mestre em Educação, psicólogo, professor de Matemática e especialista na teoria da Mediação da Aprendizagem em Jerusalém, Israel. Seus livros são encontrados na loja virtual http://www.kapok.com.br

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Treinar é preciso

4 Comentários Add your own

  • 1. Luiza  |  março 10, 2011 às 4:45 pm

    vc postou “marcelo meier” , mas é na verdade MARCOS MEIER.

    Responder
    • 2. Simone  |  março 10, 2011 às 4:56 pm

      Verdade… Desculpe, já arrumei! Obrigada pela visita!

      Responder
  • 3. Marcos Meier  |  março 21, 2011 às 4:47 am

    Oi Simone. Obrigado pela referência ao meu texto. Quanto mais pessoas divulgando melhor para as crianças, pois irão crescer com mais maturidade. Um grande abraço e parabéns pelo blog.
    Marcos Meier

    Responder
  • 4. Priscila Hygino  |  março 23, 2011 às 1:45 am

    Simon,

    Adorei o post! Realmente tem muita diferença no tipo de elogio…. BEM interessante. Poxa..não deixa de escrever vai! E avisa quando tiver post novo.

    Bjs
    Pri

    Responder

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