Estamos preparados para a comunicação na mídia social?

setembro 8, 2009 at 5:48 pm 3 comentários

Pode ser que eu esteja mesmo ficando velha, mas me surpreende muito a velocidade com a qual as ferramentas da internet tem andado. O orkut, quando surgiu há 6 ou 7 anos, era o ápice (aparentemente, claro) do poder de interação da rede. Hoje, com blogs, facebook, twitter e afins, aquele que era o precursor das redes sociais virou apenas ‘mais um’ no meio desse mar cada vez mais navegável e navegado.

A primeira onda, que unia pessoas, resgatava ‘amigos’ e comunidades e nos deixava expostos – agradavelmente – ao mundo todo, parece ter arrefecido. Acontece ainda, claro, mas de um jeito tão natural que não parece que por causa dela mudamos nossa maneira de expressão. Quem não tem um perfil no orkut hoje (no mínimo) parece que não existe, que não tem documento. É uma espécie de cidadania virtual mesmo.

Corporativamente – falando em comunicação – ainda é relativamente recente o uso dessas ferramentas, pelo menos entre as empresas ‘menos virtuais’. Na verdade, percebo que ainda poucas companhias tem a real dimensão do que significa abrir a comunicação para este público: o mundo. Não estou falando, claro, da comunicação comercial, de marketing, de promoções. Falo da comunicação corporativa mesmo.

Quando falamos em assessoria de imprensa, por exemplo, temos um target definido, com regras claras, dialeto próprio e argumentações jornalísticas aceitáveis e compreensíveis para ambos os lados. Mas quando falamos de mídia social, o público de expande exponencialmente. São clientes, fornecedores, funcionários, simpatizantes, antipatizantes, espiões, concorrentes… Enfim, atingimos quem queremos e quem não necessariamente gostaríamos de atingir. E é aí que a coisa muda de figura. A regra é o bom senso e você se expõe de uma forma perigosa. Fica aberto para os louros que certamente virão com a transparência, mas coloca o telhado de vidro na mira. Imagino que em alguns casos, o melhor é recuar.

Ou não. Vai ver o futuro é justamente esse. Para o bem ou para o mal, temos que estar presentes em todos os locais onde esperam que estejamos. Se, em 10 dias, a área de comunicação de uma empresa ultrapassa a marca dos 100 seguidores no twitter, é porque o internauta – de qualquer nível – também está sedento por informações por este caminho.

Quando passamos para o universo dos blogs, a história se repete. O espaço na internet é público e sem censura. A principal característica é a liberdade de expressão, exatamente o que estou fazendo aqui. Escrever é um ato de desabafo e os blogs tomaram o espaço dos antigos diários com a diferença fundamental de que o interlocutor não só lê, como interage, opina, reclama, elogia. Enfim, mais uma forma de exposição, mais uma forma de disseminar informações. E nesse caso, como as empresas devem agir? Qual o código que rege este tipo de comunicação? Comenta-se? Explica-se? Defende-se? Agradece? Ninguém sabe ainda….

A única certeza é que a liberdade de expressão, seja ela como for, é incrivelmente sensacional. A revolução que estamos assistindo está mudando e vai mudar muito mais – em breve – a forma de ação de companhias, pessoas, entidades, celebridades…. Vamos, no papel de comunicadores, nos preparar para isso. E no papel de leitores e escritores, fazer com que as ferramentas sejam cada vez melhor utilizadas.

Bjs e até a próxima,

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A polêmica do diploma Treinar é preciso

3 Comentários Add your own

  • 1. Betina  |  setembro 9, 2009 às 8:19 pm

    É… há alguns anos, eu ouvi de uma amiga que ‘se vc n tem MSN, vc n existe’. E já faz mto tempo, hehe! Simon-Simon, a Matrix está de portas abertas para exercermos o direito de ir e vir! Numa outra entrevista, o Marcelo Tas comentou a importância destas mídias por terem dado voz às pessoas. Embora pensem o contrário, o mundo se comunica, se relaciona mais agora. Sem dúvida.

    Hoje todo mundo fala e opina, para o bem e para o mal. Podemos até dizer que ainda existe uma certa ‘concentração’ da informação, o que a gente, enquanto comunicólogos, privilegia como importante e ‘considerável’. Mas, realmente estamos no meio de um processo de abertura que eu acho incrível.

    Particularmente, apenas respondendo à pergunta do título, não! Não estamos preparados para isso ainda. A interatividade não combina com a costumeira burocracia que ainda rege os processos de comunicação das companhias. Não de todas, algumas já entenderam o recado vindo lá da frente, mas a maioria ainda mete os pés pelas mãos, indo no vácuo.

    A relação está deixando de ser unilateral. Não há mais limites para fiscalização de conduta. E, de novo, para o bem e para o mal. Como ainda estamos no início do processo, por ora tudo ainda se auto regula, as empresas vão mostrando a cara e a disposição em falar com os novos ‘stakeholders. Já já serão novos departamentos, novas gerências, novas diretorias que receberão o mesmo cuidado/investimento que os departamentos de comunicação e marketing…

    Acho importante a curiosidade, mas especialmente o ouvido para quem está naturalmente mais envolvido com estas novas mídias, com a nova realidade e os novos moldes da comunicação, da interação, do compartilhamento de informação, seja ela pessoal, corporativa, etc. E também é nessa parte que eu ainda vejo certa burocracia e conservadorismo.

    Mas, o processo está aí. Não tem mais volta, não.

    Responder
    • 2. Simone  |  setembro 9, 2009 às 8:25 pm

      Mari-Mari! Exclente! Concordo plenamente e é instigante imaginar o que está por vir. Pq, na verdade, não sabemos. Como tudo é muito rápido, o que imaginamos que pode ser o próximo passo pode ser passado… Tudo muito complexo… É muito legal fazer parte dessa revolução, né? E poder, como todo processo em seu início, participar da criação das ‘regras’ que certamente virão…bjs

      Responder
  • 3. Leandro Ramalho  |  setembro 23, 2009 às 4:06 pm

    Oi Simon, não sei se lembra de mim aqui de João Pessoa e Recife. Já tinha passado antes no seu blog, mas não havia parado ainda para comentar.

    Tá claro que a inovação tecnologica tá acelerando demais os processos. As grandes companhias não conseguem acompanhar tudo com agilidade. Quando se acostumaram a “brincar” com o blog, putz, lá vem esse tal de twitter. E quando eles se sentirem confortáveis com a ferramenta dos 140 toques, vai acontecer algo novo e mais desafiador.

    Vi um video da Nokia esses dias que mostra um novo conceito de relação das pessoas. A proposta é que comunicação vai ser muito mais orgânica do que a que temos hoje, sem tantas interfaces (touchscreen, netbook, PC). As máquinas vão existir, porém mais integradas a nós. Por consequencia, a relação que a gente vai ter de comunicação também vai se expandir, e muito.

    No meio das compras no supermercado, arrumando a casa, tomando sol na praia, seja lá onde for, vamos blogar, twitar, postar fotos, ler notícias sem maior esforço. E isso tá bem perto de acontecer. Imagina um cenário desses daqui cinco ou dez anos pra frente.

    ah, esse é o link do video

    Responder

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