A polêmica do diploma

julho 3, 2009 at 7:12 pm 6 comentários

Demorei um pouco pra falar desse assunto, é verdade… Esperei os ânimos se acalmarem porque o tema foi fruto de discussões infinitas e inconclusivas. A verdade é que vou meio contra a maré dos meus colegas e isso tem incomodado um pouco. Sou contra a obrigatoriedade do diploma. Não acho que uma faculdade garante que tenhamos bons profissionais.

Pra mim, a discussão deve ser outra, muito mais voltada à qualidade do ensino do que ao pedaço de papel que ele entrega no final… Mas isso não cabe agora, deixemos pra depois.

Meu ponto é: acho, sim, que deveria haver um curso para que pessoas que gostem de escrever ou desejem fazê-lo profissionalmente, possam se aprimorar tecnicamente. Mas imagino que um curso de um ano resolva. Até porque, quem seleciona os profissionais é o mercado. Não dá pra imaginar que só porque agora o diploma não é necessário, qualquer pessoa vai sair assinando matérias em jornal. Não é nada disso. Quem não for bom, não escrever bem, não for coerente, não se estabelece. Tendo o diploma ou não.

Escrever bem, didaticamente, imparcialmente, não se aprende na faculdade. Se aprende estando atualizado, lendo, lendo, lendo. E lendo mais: jornais, revistas, livros, bulas de remédio… Qualquer coisa! Este é o primeiro passo. Se um economista consegue traduzir o mercado financeiro de forma que a minha avó entenda (rs), o que me faz pensar que um jornalista faria melhor?

O principal ponto de quem defende o diploma com unhas e dentes é o fato de quem, sem a obrigatoriedade o mercado vai acabar demitindo jornalistas formados para trocá-los por mão de obra mais barata, sem faculdade. Sinceramente, vocês acham que corremos esse risco? Eu acho exatamente o contrário!

Vou além: acho que a não obrigatoriedade do diploma vai nos fazer jornalistas melhores. Porque o tempo que gastamos (e gastamos mesmo) nos bancos das faculdades de comunicação pode ser melhor utilizado. Vamos fazer ciências políticas, economia, filosofia, direito, biologia… Para ser jornalistas! Isso vai fazer profissionais melhores, com mais conteúdo. A técnica pode ser aprendida num curso técnico, afinal.

Eu tenho diploma, tenho o MtB (registro necessário para trabalhar como jornalista) e essa lei diretamente me afeta. Mas não posso ser ingênua a ponto de brigar pelo meu diploma sabendo que ele não faz tanta diferença. O que sei hoje, aprendi no dia a dia, e não na faculdade. E acho que isso vale para inúmeros cursos, não só para jornalismo. Se trocássemos esses milhões de cursos superiores por cursos técnicos, aproveitaríamos muito mais o tempo dos profissionais.

E tempo, esse sim, vale ouro!

Bjs e até a próxima!

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Communications: that’s it! Estamos preparados para a comunicação na mídia social?

6 Comentários Add your own

  • 1. Jac Oliveira  |  julho 3, 2009 às 7:41 pm

    “Não acho que uma faculdade garante que tenhamos bons profissionais.”
    nem eu. Tb penso dessa forma. Mas não concordo com a recente decisão do STF.

    Responder
  • 2. gabriela  |  julho 3, 2009 às 8:10 pm

    Oi Si,
    Concordo com você. Não acho necessário um diploma. Acho importante ter cultura geral e conhecimento. O resto, se aprende na experiência. Em redações, pode ser um pouco mais difícil… mas hoje o jornalismo está tão especializado que muitos repórteres são formados na área em que atuam. Mas nas empresas, é mais fácil. Dividimos as vagas com administradores, publicitários, marketeiros e até engenheiros! E muitos fazem excelente trabalho. Por que restringir o trabalho de excelentes profissionais? Por um diploma? O diploma não garante empreso.

    Responder
  • 3. Wilma  |  julho 3, 2009 às 8:14 pm

    Confesso que evitei pensar sobre o assunto até este momento. Mas como minha amiga Simone resolveu tocar no assunto, fiquei pensando numas coisas que ouvi por aí….por exemplo, que o diploma de Administrador de Empresas tb não é exigência para exercer a administração. Mas quem tem diploma está um passo a frente e muitos vão além: procuram especialização. Penso que o diploma de jornalismo é uma preparação, mas é preciso ir além, penso tb que as boas vagas do mercado continuarão a ser muito disputadas. Quem tem qualificação já começa com um passo na frente.
    bjs, Wilma

    Responder
  • 4. Eduardo  |  julho 6, 2009 às 2:16 pm

    O que inaceitável é a grita da maior parte dos jornalistas sobre o assunto. Eles tratam o fim da obrigatoriedade como se fosse o fim da profissão, a diminuição das vagas no mercado de trabalho, o fim das convenções trabalhistas…

    O mais importante, independente do diploma, é compreender a profunda transformação de nossa profissão nos últimos anos. O que inclui mais boas do que más notícias, como a expansão das atividades jornalistícas, especialmente no fortalecimento da comunicação corporativa, onde temos o papel de ajudar a fazer o link do universo das empresas com a realidade, e a proliferação de portais na internet.

    É isso.

    Responder
  • 5. uzina  |  julho 8, 2009 às 4:35 am

    Olha, Si, não fossem os argumentos pauperrimos dos juristas, somados ao fato de que, historicamente, o nosso pais sempre desprezou o diploma e a educacao, quaisquer q fossem, eu ate pensaria mais no tema, poderia voltar atras e ai concordaria contigo.
    Pessoalmente, eh inaceitavel q um juiz, q pouco sabe sobre jornalismo, possa tomar uma decisao tao cheia de controversia. Que inteligencia soberana eh essa? Poderiamos nos, jornalistas, listar alguns argumentos e decidir pelo fim da prova da OAB?
    Foi na academia q eu me apaixonei pelo jornalismo, foi na academia q eu pensei a minha vocacao, a minha profissao e a minha responsabilidade com ela. O curso tecnico, no ensino do fazer, não me daria isso.
    Ruim com ele, com faculdades ruins, com profissionais q não se qualificam. Pior, bem pior, sem ele.
    Juliano.

    Responder
  • 6. Thais  |  julho 14, 2009 às 9:23 pm

    Si! Adorei o texto e concordo com você. É como eu li em um outro blog: “O que é melhor? Um jornalista que tem alguma noção de economia ou um economista que domine as técnicas de redação e saiba traduzir as informações para todos entenderem?”.
    Também acho que não é qualquer um que saiba escrever um período que pode ser jornalista. A teoria ensinada na faculdade é tão importante quanto a prática. Não sei se vc sabe, mas eu fiz faculdade de Publicidade e Propaganda, meio que sem saber o que me atraía de verdade nela. Como eu já gostava de escrever, acabei focando em redação publicitária, mas as oportunidades acabaram me levando à produção de textos para revistas, comunicação empresarial, assessoria de imprensa… Enfim, se eu soubesse que seria assim, teria feito Jornalismo. 🙂

    Responder

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