Informação ou Notícia?

Há uma máxima no jornalismo que diz: “Quando um cachorro morde um homem, não é notícia. Quando um homem morde um cachorro, é notícia”. Quem fez faculdade de comunicação certamente já ouviu essa frase. Pois bem, na semana passada um garoto mordeu um cachorro e realmente foi parar na capa de todos os jornais do Brasil. Era pra ser, claro. Além de tudo ele foi um herói porque se salvou por causa da mordida…

Mas a discussão aqui não é essa… Na verdade, pessoas hoje em dia viram notícia por muito menos. E é sobre isso que convido vocês para uma rápida reflexão. Em que ponto uma simples informação ganha status de notícia e, consequentemente, as páginas dos jornais? Quando e em que condições vale a pena arriscar uma super exposição? Quando falamos de pessoas – celebridades e autoridades, por exemplo – é mais fácil entender e/ou explicar o excesso de reportagens (?) fúteis e sem conteúdo. Isso vende. E depois todo mundo esquece. É um  tipo de notícia (?) dos mais perecíveis. Dura o tempo que se passa no cabeleireiro ou na sala de espera do dentista.

Na comunicação empresarial a história é outra. Para que uma determinada informação se torne notícia – pelo menos em veículos de credibilidade – é preciso um contexto inédito, interessante, inusitado, que afete muitas pessoas, que tenha dados de mercado, que seja corroborada por documentos ou fontes, que tenha prestação de serviço, que tenha entrevistados de ‘peso’, personagens e exemplos práticos, entre outros pré-requisitos. São muitos ingredientes, sim, e o ‘modo de fazer’ da receita muda de acordo com o perfil do jornal, do jornalista, do entrevistado, da cidade onde a notícia será publicada, da época do ano, do resultado esperado… Muitas vezes, dependendo do tema, uma notinha em um jornal de bairro repercute mais do que a capa do Estadão, acreditem ou não.

E é esse mapeamento, essa mistura exata de ingredientes, que nós, profissionais de comunicação corporativa, fazemos a todo momento. São muitas as informações, mas poucas as notícias. São muitos os jornais, mas poucos os espaços. Aproveitá-los bem – as notícias e os espaços – é nosso grande desafio. 

Trabalhar para que o nome de uma determinada empresa cause em você, leitor deste blog, uma primeira boa impressão, não é trabalho de marketing nem se consegue comprando páginas nas revistas e minutos na TV. A impressão que você tem de qualquer marca é formada por aquela pequena frase sobre a empresa ou pela citação de um de seus executivos em uma matéria de jornal. Se o que vem à sua mente é bom ou ruim, depende do quanto e de como a companhia conseguiu transformar boas informações em boa notícias e informações ruins em notícias não tão ruins assim…  

Não é fácil, mas é muito divertido!

bjs e até a próxima!

6 comments Agosto 1, 2008

Onde imprime?

Minha amiga Wilma outro dia me disse que mostrou uma máquina de escrever a seu filho de 6 anos e ele, fascinado, perguntou: “mas onde imprime?”.

Como assim? Me perguntei em silêncio. Não faz tanto tempo assim (ou faz?) estava EU escrevendo e trabalhando em uma relíquia dessas… Na minha época de Band, nos idos de 1994, não havia computadores na redação e aquele barulhinho da máquina (que saudade!) era o mais característico de um jornal sendo produzido…. Aposto que a redação do Estadão perdeu um pouco a graça – ou pelo menos, o glamour – quando essas maquininhas silenciosas chegaram.

Claro que não estou aqui recriminando o futuro. Pelo contrário. Não fosse ele, eu não estaria nesse exato momento (23h11 do dia 07 de julho) deitada na minha cama com um laptop no colo. Mas acho que ele veio rápido demais.

Em 95, ainda na Band, fui cobrir uma feira de informática chamada Fenasoft, onde as maiores tendências ‘hi-tech’ eram lançadas. Naquele dia, um dos expositores deu aos jornalistas uma caixa onde se lia “internet in a Box”. Na coletiva sobre o produto, percebia-se que ninguém ainda entendia direito como isso funcionava e todos – inclusive eu – levaram o tal brinde para casa. O Jô (meu irmão) instalou imediatamente e cadastramos um e-mail, meio sem saber para que isso serviria. Meu primeiro e-mail era Simone@nutecnet.com.br e, para ter com quem conversar, enviamos carta (em papel) para uma revista sobre o tema nos oferecendo para receber mensagens dos desconhecidos…

Não dá pra acreditar que tão pouco tempo depois (em 98, quando entrei no Pão de Açúcar, todos já tinham acesso à internet – discada, mas tinham) isso tudo já estava disseminado de um jeito tão intenso que não havia quem não conhecesse as maravilhas da rede.

Pode ser que eu esteja mesmo ficando velha, mas fico impressionada quando olho pra trás e vejo como o mundo mudou e como fiz parte ativa dessa mudança. Voltando à Band, peguei a época dos cartuchos na rádio. Sim, cartuchos, um para cada notícia e um gravador de rolo imenso que gravava a programação toda. Para editar uma reportagem aprendi a cortar (literalmente) a fita com um estilete e  emendar uma palavra de uma frase em outra bem distante com durex! Sei que muitos que estão lendo isso agora não fazem a menor idéia do que falo e, por isso, não conseguem visualizar. Mas era assim mesmo, e não faz tanto tempo assim, apesar de eu ter nascido no século passado! rs…

Enfim, acho que o futuro veio rápido demais. E escrevendo esse post, me dei conta que não tenho uma maquina de escrever e quero que meus filhos conheçam uma máquina de escrever para saber como a mãe deles – e não o tataravô – trabalhava no início da carreira. Preciso providenciar… 

E adivinhem como vou fazer isso? Via internet, claro!

bjs e até a próxima!

 

8 comments Julho 8, 2008

O rádio

Num dos primeiros dias de aula da faculdade de jornalismo, um professor perguntou à minha turma onde cada um sonhava em trabalhar quando concluísse o curso. De cerca de 40 alunos, dois – apenas dois – disseram ser o rádio sua maior aspiração. E é assim mesmo. Poucas pessoas valorizam o veículo que mais traduz a expressão “online”, mais até que a própria internet.

Confesso que eu não era uma dessas duas pessoas, mas tive o prazer – e o privilégio – de ter o rádio como escola. Foi lá que, como rádio-escuta, minha primeira profissão, aprendi a aguçar meus ouvidos e a separar a informação da notícia, o dado do fato, o importante do supérfluo. Depois passei a produzir e escrever programas, que embora tivessem um roteiro pré-definido podiam, magicamente, se transformar em algo completamente diferente do previsto caso uma notícia importante aparecesse.

Também fui repórter e ficava fascinada cada vez que, de um celular- ou orelhão! – podia entrar no ar, ao vivo, com a informação mais ‘quente’ possível. Não precisava de nada, absolutamente nada. Apenas o fato e o telefone. O rádio é quem chega primeiro e não vai perder esse posto tão cedo. O “tempo real”, que parece tão moderno, existe na verdade desde antes de 1920, quando a primeira transmissão via rádio surgiu nos Estados Unidos. A história é curiosa: a indústria americana de eletrônicos Westinghouse fabricava aparelhos de rádio para tropas da Primeira Guerra Mundial e, com o término da guerra ficou com um grande estoque. Para evitar o prejuízo, a Westinghouse instalou uma grande antena no pátio da fábrica e começou a transmitir música para os moradores do bairro. Não demorou para que ela vendesse todos os aparelhos encalhados.

Outras fontes dão conta de que o cientista Joseph Konrad, que teria feito um transmissor, usava o aparelho na garagem de sua casa e, de posse de um jornal, simplesmente a lia notícias de sua cidade – Pittsburgh – e comentava o esporte local. Pouco depois, surpreso diante do grande número de cartas que recebeu, dos mais diferentes lugares dos Estados Unidos, prolongou as horas de transmissão, sem alterar as características da primeira irradiação.

No Brasil, Roquete Pinto conseguiu trazer para a Exposição Internacional do Centenário da Independência, em 1922, dois transmissores e o então Presidente Epitácio Pessoa se utilizou de um microfone para inaugurá-la, “com a radiotelefonia iniciando uma nova era no país”. Em relação à jornalismo e notícia, o fato brasileiro mais emblemático aconteceu em 1942, quando surge o Repórter Esso. Pela primeira vez, um jornal falado foi encarado com credibilidade e até hoje é case e objeto de ’causos’. Uma tia-avó bem velhinha até hoje chama o Jornal Nacional de “Repórter Esso da Televisão”.

Histórias à parte, o que vale é que o rádio é um dos mais democráticos meios de se informar. Você pode comprar em um camelô ou em lojinhas de R$1,99. Ou pode simplesmente sentar ao lado de alguém com um radinho e compartilhar aquela informação. É o único veículo de comunicação que não se importa em dividir atenções com o trabalho do escritório, de casa, do consultório. Em qualquer lugar há um rádio ligado.

Que grande potencial o rádio tem… Porque será tão desvalorizado entre nós, jornalistas? Porque perdeu o glamour se ainda é – e será, certamente, por muito tempo – o meio mais rápido de propagar a informação?

Pense em quem te acompanha nas intermináveis horas no trânsito ou a quem você recorre quando precisa de uma informação imediata e verás que o rádio será, para sempre, o “irmão pobre porém sábio” de todos os meios de comunicação.

bjs e até a próxima!

7 comments Junho 25, 2008

Não fale, escreva!

Meu pai sempre trabalhou no ramo editorial e na minha casa nunca faltou um bloquinho pra gente escrever, desenhar, pintar… Eram blocos de todos os tamanhos e cores. Alguns tinham os nossos nomes. Mas o que eu mais me lembro era um que tinha impresso, em cima: Não fale, escreva!

Tinha eu uns 8 ou 9 anos talvez, mas sempre achei curiosa a frase. Claro, estava num bloco e então era óbvio que ‘o bloco’ preferisse a linguagem escrita… Mas eu, uma criança, achava meio absurdo escrever se a gente podia falar. Era muito mais prático e rápido, afinal.

O tempo passou e logo percebi que escrever é uma libertação. Você pode escrever para desabafar, para se confessar, para guardar um momento de emoção…. Enfim, escrever é como ter uma memória paralela, que pode ser acessada a qualquer momento e traz emoções semelhantes àquelas da época do texto. Quem já teve um diário sabe muito bem do que estou falando.

O e-mail (e blogs & afins) é meio uma evolução dos diáios e agendas que fazíamos antigamente. Aqui colocam-se sensações e emoções que certamente seriam mais difíceis (ou menos oportunas) de verbalizar. É muito divertido isso. Uma forma de comunicação sem fronteiras (de distância, de tempo, de timidez, de censura). Ecrever é tão libertador que algumas pessoas são outras pessoas quando escrevem.

O Veríssimo, por exemplo, de quem sou fã incondicial, é tão sem graça falando que até parece ser uma pessoa ‘comum’. O pai dele deve ter levado pra casa alguns dos bloquinhos que citei no início deste post….hehehe….

Pra finalizar, não estou aqui sugerindo que falemos menos, mas sim que escrevamos mais. Qualquer coisa. Experimente por num papel um pensamento qualquer que passa pela sua cabeça agora. Coloque a data e guarde em algum lugar que você vá esquecer por um bom tempo (por isso não valem meios eletrônicos!). Esqueça mesmo. O dia que vc achar, numa daquelas arrumações ou quando mudar de casa, a sensação de reler é tão mágica que você vai querer fazer isso sempre!

Ah, e falando em escrever – e escrever bem – leiam o “Budapeste”. É um livro bem rapidinho. O conteúdo é apenas “ok”, uma historinha bonitinha. Mas a forma como Chico Buarque escreve é uma das melhores homenagens que já vi à língua portuguesa. Vale muito mais a forma do que o conteúdo. Mas vale de verdade. Fica a dica.

bjs e até a próxima!

 

7 comments Junho 6, 2008

Linguística

“O carro para na autoestrada e as pessoas creem ser uma ideia heroica do motorista retirar os pelos que destavam a feiura do animal que dormia tranquilamente no asfalto.”

 

Não, essa frase não está errada. Pelo menos não pelas novas “regras” advindas da reforma da língua portuguesa. Foram-se os acentos, foram-se os hífens (a não ser quando o prefixo termina e ‘r’), foram-se tremas…. Tudo o que estudamos, decoramos, nos orgulhamos…. Já era! Nossa língua está empobrecendo.

 

O assunto é polêmico, eu sei. Certa vez, um professor de lingüística (o trema aqui foi proposital, porque ainda não vou me render!) da USP me disse que o que importa é transmitir a mensagem, seja do jeito que for. Segundo ele, se você entender quando alguém diz “ta na ora de nóis subir pra cima e xegar em caza”, valeu. Claro que esse exemplo é extremo, mas é esse o fim que pode se prever.

 

Quem defende diz que em um País com mais de 50 milhões de pessoas analfabetas ou semi-analfabetas é preciso facilitar a língua para que todos possam falar melhor. Dizem que não faz mesmo diferença se casa é o ‘z’ ou ‘s’ e que não faz sentido ter ‘h’ na frente de palavras já que a letra não tem som algum. Os defensores são mais radicais que a própria reforma e alegam que a língua portuguesa serve mesmo é para constranger e até amedrontar as pessoas.

 

Concordo que eles tem um ponto. Mas, convenhamos, esse raciocínio é o mesmo de dar esmolas: você facilita para que a pessoa não faça ou não aprenda. No mundo ideal seria assim. Mas no Brasil temos que abrir mão de patrimônios riquíssimos, como a língua portuguesa, por falta de estrutura para que esses patrimônios sejam realmente absorvidos?

 

Enfim, polêmico, polêmico.

 

Mas preciso dizer que dá uma dorzinha no peito assistir assim, de camarote e sem poder fazer nada, à destruição de uma das coisas mais preciosas que temos.

 

O que vocês me dizem?

 

Bjs e até a próxima,

Simone

10 comments Maio 29, 2008

O início ou o fim anunciado?

Vejam os números: a tiragem de jornais como Folha de S. Paulo e O Globo (os dois maiores do Brasil), com média de 300 mil exemplares/dia, tem se mantido estável nos últimos anos, com variações de 1% a 3%, para mais ou para menos.

Por outro lado, jornais populares como o Meia Hora (RJ), Super Notícia (MG) e Diário de S. Paulo tem apresentado números incríveis de aumento de circulação com 76%, 58% e 11% respectivamente mais de 2006 para cá. A boa notícia é que parece que os brasileiros começam a ler mais, principalmente a mídia rápida e de fácil “digestão”. Estes jornais, sempre muito baratos (são encontrados por até R$0,50), trazem as principais notícias de maneira leve e vocabulário simples. Notícias mais ‘populares’, como esporte, televisão e diversão tem mais destaque. Mas tudo bem. Se para ler com atenção a notícia de que Ronaldinho saiu com travestis o brasileiro passar o olho em informação sobre política (ou economia), na minha opinião esses jornais cumprem seu papel.

O auge da civilização será o dia em que, como em alguns locais da Europa, esses jornais estiverem disponíveis como “cortesia” em metrôs, ônibus ou praças públicas. Isso acontecerá, quem sabe, em um futuro muito distante, mas pode ser.

Hoje em dia, o jornal gratuito – pasmem – é para ricos no Brasil. Em São Paulo, dois títulos – Metro e Destak – disputam as esquinas mais movimentadas da cidade e seus motoristas estressados no trânsito. Os jornais são muito bem feitos, diga-se. Rápidos, completos, práticos. Daqueles que dá pra ler numa viagem ao trabalho mesmo. Mas não são para quem não pode comprar jornais. São para aliviar executivos atrasados. Executivos que, ao ligar o computador no escritório – ou em casa, antes de sair – já viram as principais notícias na tela, analisadas por especialitas e já com a repercussão esperada pelo leitor.

Daí a confirmação do dado do primeiro parágrafo deste post. Esse executivo vai ler a edição impressa da Folha ou do O Globo?

O jornal, produto com o menor prazo de validade que existe, está cada dia mais efêmero. Muitas vezes, a edição da banca já foi ultrapassada em novidade pela sua própria edição online, muito mais rápida e eficiente.

Ponto para o jornal popular - como vimos – que não tem a concorrência virtual (hoje no Brasil, menos de 7% da população tem  acesso à banda larga) e cumprem a função de tornar esse País mais letrado.

bjs e até a próxima!

Simone

 

3 comments Maio 24, 2008

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