Linguística
“O carro para na autoestrada e as pessoas creem ser uma ideia heroica do motorista retirar os pelos que destavam a feiura do animal que dormia tranquilamente no asfalto.”
Não, essa frase não está errada. Pelo menos não pelas novas “regras” advindas da reforma da língua portuguesa. Foram-se os acentos, foram-se os hífens (a não ser quando o prefixo termina e ‘r’), foram-se tremas…. Tudo o que estudamos, decoramos, nos orgulhamos…. Já era! Nossa língua está empobrecendo.
O assunto é polêmico, eu sei. Certa vez, um professor de lingüística (o trema aqui foi proposital, porque ainda não vou me render!) da USP me disse que o que importa é transmitir a mensagem, seja do jeito que for. Segundo ele, se você entender quando alguém diz “ta na ora de nóis subir pra cima e xegar em caza”, valeu. Claro que esse exemplo é extremo, mas é esse o fim que pode se prever.
Quem defende diz que em um País com mais de 50 milhões de pessoas analfabetas ou semi-analfabetas é preciso facilitar a língua para que todos possam falar melhor. Dizem que não faz mesmo diferença se casa é o ‘z’ ou ‘s’ e que não faz sentido ter ‘h’ na frente de palavras já que a letra não tem som algum. Os defensores são mais radicais que a própria reforma e alegam que a língua portuguesa serve mesmo é para constranger e até amedrontar as pessoas.
Concordo que eles tem um ponto. Mas, convenhamos, esse raciocínio é o mesmo de dar esmolas: você facilita para que a pessoa não faça ou não aprenda. No mundo ideal seria assim. Mas no Brasil temos que abrir mão de patrimônios riquíssimos, como a língua portuguesa, por falta de estrutura para que esses patrimônios sejam realmente absorvidos?
Enfim, polêmico, polêmico.
Mas preciso dizer que dá uma dorzinha no peito assistir assim, de camarote e sem poder fazer nada, à destruição de uma das coisas mais preciosas que temos.
O que vocês me dizem?
Bjs e até a próxima,
Simone
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