Sustentabilidade, o que é isso?

Outubro 18, 2008

Aposto que muitos já torceram o nariz só por ver a palavra no título… Ou pensaram: lá vem mais uma tentar salvar o planeta. Na verdade, sustentabilidade virou, no jargão popular, “carne de vaca”, mas nunca foi tão primordial pensar nas nossas atitudes e em como elas influenciam negativamente para o futuro.

É verdade que a nossa contribuição para o aquecimento global está longe de ser a maior, mas sustentabilidade não é só isso. Não podemos negar o fato de que, se quisermos deixar um mundo razoável pros nossos filhos e netos, já estamos atrasados. A natureza não consegue mais repor o que gastamos e, se continuarmos nessa levada, em 50 anos não teremos mais recursos naturais básicos. Não disse 500, disse 50 anos!

Cada um pode fazer um pouco e o mais usual é pensar em coisas como banhos mais curtos, luzes apagadas e compras responsáveis, o que significa não desperdiçãr e avaliar a empresa que fabrica o produto que precisamos. Algumas companhias também tem pensado nisso seriamente. O Banco Real, por exemplo, está restringindo crédito a fabricantes de armas e cigarros, por exemplo e facilita a operação em caso de empresas ambiental e socialmente responsáveis. A Coca-Cola tem um forte programa de ‘devolver’ para a natureza a água que retira, em melhor estado. O Café do Ponto tem uma linha de cafés “fair trade”, o que significa que o produto foi feito respeitando a natureza, por famílias que tem seus filhos na escola e que ganham honestamente, independente de safras. O Wal-Mart, mundialmente, tem metas agressivas de redução de lixo e energia e já anunciou que vai diminuir em 50% o uso de sacolas plásticas até 2012. No Brasil, constrói lojas mais ‘verdes’ e estimula a produção de itens orgânicos, entre outras coisas. O Pão de Açúcar promove esporte e música para jovens carentes. E por aí vai…

Mas todos nós, responsáveis pela comunicação de empresas que fazem algo para o bem do planeta – e delas próprias, claro! –  temos que ter em mente que, num país predonimantemente pobre e ignorante, o que significa reduzir a emissão de créditos de carbono para quem não tem o que comer? O que adianta dizer que é preciso economizar energia para quem nem tem luz elétrica em casa? E para preferir produtos orgânicos quando a preferência é por ter alimento, qualquer um?

Dos três pilares da sustentabilidade – econômico, ambiental e social – precisamos pensar neste último como prioridade. Não vamos eliminar os outros nem podemos ser assistencialistas nem paternalistas. Mas a conscientização – e é aí que está a chave do sucesso da sustentabilidade – tem que se dar gradativamente, por meio de avanços sociais. Pessoas mais inseridas na sociedade e mais cidadãs vão contribuir com o planeta, com elas ou com qualquer outra causa, de maneira muito mais consciente e permanente.

Minha empresa estimula que seus funcionários tenham projetos pessoais de sustentabilidade, que podem ser desde algo ligado à saúde (como parar de fumar, comer melhor) até compras conscientes ou voluntariado. O meu projeto é mobilização e espero que este post contribua para que ele avance.

Vamos fazer a nossa parte mas vamos inserir nessa parte – qualquer que seja – algo para o bem das pessoas. Sem elas, nao adianta ter um planeta saudável…

bjs e até a próxima!

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7 Comments Add your own

  • 1. uzina  |  Outubro 19, 2008 at 7:15 pm

    Sensato post.
    Vivemos em um país de pobres e se quisermos que um dia eles pensem no meio ambiente é preciso que pensemos neles, nos pobres, primeiro.
    Neste domingo (19/10), a Igreja Católica reflete sobre os missionários que fazem o bem em alguma região paupérrima do mundo. Recolhe mantimentos e orações. Tenho privilégio de conhecer alguns desses missionários. Pessoas boas. Que extrapolam suas vaidades, seus orgulhos, seu instinto de sobrevivência individual e consomem suas vidas pelo outro.
    Mas também admiro quem aqui, e não em algum país distante, também dedica um tempo para dar afeto ou outro subsídio qualquer para a felicidade de quem tem menos.
    Viva a sustentabilidade!

    Responder
  • 2. P  |  Outubro 20, 2008 at 4:38 pm

    Vale pensar que toda onda traz coisas novas. Depois da onda vem a espuma e depois tem-se que esperar a areia (ou poeira) baixar, só aí é que dá para ver o que fica.

    Responder
  • 3. Betina  |  Outubro 20, 2008 at 7:43 pm

    Acho toda a discussão muito válida. E acho melhor ainda que isso vire carne de vaca e não outras coisas. Sempre terão as pessoas para avaliar as iniciativas mil que aparecem, falar sobre as que forem, de fato, relevantes e o que tiver por aí por outras razões. Embora, eu ache que qualquer outra razão está ok se o resultado final for algo positivo para o social, ambiental e econômico.

    O ideal é manter a discussão e levantar os bons exemplos, além de contribuir com boas idéias e iniciativas.

    Eu admito que meus olhos eram bem fechados até um tempo atrás… de verdade. Mas, desde que fiz assessoria de imprensa para o Akatu, um mundo novo se abriu. E é isso, é muito importante despertar e começar a agir. Tem uma pesquisa do próprio Instituto que mostra que a consciência está crescendo muito, mas isso ainda não foi revertido em ação propriamente dita. Então, acho que o foco está aí. Transformar todas as informações e estímulos que temos diariamente em coisas positivas para todo mundo.

    Bj

    Responder
  • 4. paulaccassis  |  Outubro 20, 2008 at 10:04 pm

    Impressionante como imediatamente após ler o: “50 anos”, fiz as contas rapidinho e me imaginei velhinha vendo os meus netos sem poder curtir coisas que hoje, ainda, temos de sobra.
    Mais impressionante mesmo, foi ler as ponderações sobre como falar de sustentabilidade para um país cujo principal público não tem nem mesmo acesso à alimento, e perceber que estou muito longe de ser uma pessoa que realmente pensa e age de forma a abrangir uma fatia muito maior.
    Excelente esse post. Abriu meus olhos, ligou minha antena e cumpriu sua missão de mobilizar!
    Bjo

    Responder
  • 5. Jacqueline  |  Novembro 4, 2008 at 11:17 am

    é verdade Si. Eu acho que ainda faço pouco em termos de sustentabilidade, mas tenho tentado me policiar. Em casa, minha mãe é uma das adeptas das sacolas plásticas para o lixo e mudar essa mentalidade é mto difícil!

    Eu acho que a iniciativa privada tem contribuído mto para a conscientização das pessoas. Somos clientes de inúmeras empresas e acabamos tendo contato, maior ou menor, com suas filosofias. Os bons exemplos sempre acabam sendo absorvidos. Vejo isso pela Natura. Suas consultoras e clientes acabam absorvendo a importância que a empresa transmite sobre a sustentabilidade. Bem legal…

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  • 6. Nathália  |  Novembro 7, 2008 at 1:31 pm

    Oi Simone! Vim parar aqui por acaso, pois vi seu link no blog do Felipe, e decidi comentar, por esse ser um dos temas que mais me preocupam.

    Agora muitas empresas estão entrando na onda da sustentabilidade, e não sei até que ponto isso é bom. É claro, políticas verdes são bem vindas, mas muitas estão nessa só pela publicidade que gera. Mesmo assim, sem saber quem anda dizendo a verdade, eu faço a minha parte, até na compra dos detergentes – só compro Ypê, que planta árvores. Recuso as sacolas plásticas sempre que possível e as reutilizo como saco de lixo. Tenho demorado menos no banho, e economizado na energia.

    É claro que ainda não é o suficiente, mas se todos fizerem sua parte, as gerações futuras agradecerão.

    Legal essa política da sua empresa, boa sorte com o seu projeto!

    Beijos!

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  • 7. joaoccc  |  Junho 4, 2009 at 12:20 pm

    Simon,

    A frase mais importante do seu post e a que diz que sustentabilidade tem 3 aspectos: economico, social e ambiental. Ou seja, vai muito alem de proteger o meio ambiente. O desafio e continuarmos nos beneficiando do avanco tecnologico sem o risco de esgotar as fontes que o sustentam.

    Por isso a coisa vai muito alem da simples consciencia ambiental. Por exemplo, nao da para evitar o desmatamento se nao se oferecer uma alternativa viavel para o sustento das pessoas que hoje vivem da exploracao da floresta. Ou seja, para que as praticas sustentaveis “peguem” elas precisam ser vantajosas para quem as adota.

    Uma prova disso e o nivel de reciclagem de aluminio, quase 100% – isso so e possivel porque o ciclo de reciclagem do aluminio eh perfeito (ou seja, uma lata pode virar outra lata) e em consequencia as latas usadas tem alto valor de mercado. A maioria dos plasticos nao tem a reciclagem perfeita, entao seu valor eh menor e nao vale a pena recolher o plastico jogado fora para reciclagem – o resultado eh que todas as latas sao recolhidas mas as garrafas de plastico continuam la.

    Sustentabilidade eh na verdade fechar o ciclo do desenvolvimento – e conseguir manter o mesmo padrao de vida que temos, mas de forma mais inteligente. Isso se aplica a todos os aspectos da nossa vida. Nao e so questao de “fazer a sua parte” como se fossemos herois autruistas, mas repensar os nossos habitos para fazer a nossa vida melhor tambem.

    Beijos

    Responder

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