A comunicação em momentos de stress
Outubro 3, 2008
O mundo de hoje e a facilidade de acesso à informação, cada vez mais rápida, faz a gente trabalhar em constante stress. Tudo deve ser respondido e resolvido ontem, mesmo que só vá acontecer amanhã…
Algumas vezes, quando o stress realmente tem razão de ser e o posicionamento deve ser bastante alinhado para não deixar arestas, acontece o que corporativamente chamamos de “gerenciamento de crise”. É assim: algo muito grave acontece (cai um avião, um produto estragado faz vítimas, um prédio desaba, informações confidenciais vazam…), pessoas escolhidas antecipadamente se trancam numa sala para resolver a questão e dividir pontos de vista, ações são propostas, estudadas e colocadas em prática. Pronto. Simples assim? Claro que não! Muitas vezes (quase todas), já no primeiro estágio do processo, a mídia já está sabendo e a crise é potencializada.
É por isso que cada vez mais a presença de alguém de comunicação no comitê de crise é fundamental. A agilidade na resposta, o conteúdo, a transparência e o acesso fazem a diferença nessas situações. Informação precisa, honesta e, acima de tudo, imparcial é o primeiro passo para que boatos não virem o título das matérias. Ter um manual de crise e um processo pre-definido ajuda muito.
Lembram do caso do ‘buraco do metrô’, em São Paulo? As construtoras demoraram para dar informação e os jornalistas estavam no local ávidos por notícias. De repente, uma pessoa engravatada chegou lá disposto a falar com a imprensa e começou a explicar o ocorrido para todos que estavam no local. Em pouco tempo, foi retirado de lá pelos assessores, que não o conheciam (a pessoa não estava envolvida). Acreditam? É, tem louco pra tudo mesmo…. Ele falou pouco, mas o suficiente para que rádios e sites, que são mais rápidos, publicassem coisas absurdas sobre o acidente.
Outro exemplo, mais recente, foi um incêndio numa fábrica de colchões próxima ao aeroporto de Congonhas (SP), que se transformou em acidente aéreo, com vítimas e tudo, na boca de repórteres de rádio que, vendo a grande quantidade de fumaça e a localização, deduziram que tinham um furo de reportagem. O próprio Heródoto Barbeiro contou essa ‘gafe’ recentemente.
Enfim, não importa o tamanho da crise, falar com a imprensa e ser transparente é a melhor solução para evitar notícias desencontradas que se replicam com efeito dominó rapidamente. Mesmo sem informações precisas, mostar a cara para pelo menos dizer que tudo está sendo apurado e que os interessados serão informados é o melhor a fazer, sempre.
Aliás, até mesmo na vida ‘off-company’, a honestidade e a transparência normalmente funcionam mais…rs…
Concordam?
bjs e até a próxima!
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1.
joaoccc | Outubro 4, 2008 at 9:56 am
Otimo assunto!
Escutei uma frase outro dia: “Uma organizacao so existe na cabeca das pessoas envolvidas nela”. De fato: a sua empresa nada mais e do que o compromisso que voce faz com as outras pessoas em nome de um objetivo comum que todos chamam de “a empresa”. Se ninguem aparecer para trabalhar na segunda-feira, a empresa simplesmente nao existe.
Encarando uma empresa dessa maneira, fica flagrante o papel vital que a comunicacao tem. Nao apenas em momentos de crise, mas no dia-a-dia de qualquer organizacao (empresas, governos, escolas, ate mesmo familias). Se uma organizacao e fruto do que as pessoas entendem dela (e de seu papel perante ela), so com uma comunicacao direta e franca se consegue que as pessoas hajam de forma coordenada em nome da organizacao.
Em suma, comunicar e tao importante quanto fazer. As vezes, ate mais. Vida longa aqueles que manjam de verdade de comunicacao!
(desculpa de acabei sendo muito abstrato…. espero que tenha dado para entender).
2.
uzina | Outubro 5, 2008 at 3:18 am
Como diria o Chaves: isso, isso, isso. Em cheio, dona Si.
E é muito bom perceber que uma crise ajuda a outra. A solução de uma certamente vai servir de experiência para o bom encaminhamento da próxima.
Beijo!
3.
Jac Oliveira | Outubro 5, 2008 at 5:19 pm
Si, gostei dessa “off-company”
enfim, é preciso quebrar o medo que a maioria ainda tem de ser claro e assumir os acontecimentos.
4.
Betina | Outubro 6, 2008 at 4:04 pm
Seguindo a linha… ‘comunicar e TÃO importanto QUANTO fazer’… digo que o dia que esta máxima for uma espécie de ‘manual’, serão menos crises a gerenciar.
Mas, acho ainda que é preciso um esforço para identificar o que são as crises reais, separá-las das crises ‘pessoais’ – em todas as formas que esta última pode assumir – e, especialmente, manter a frieza diante de um potencial problema.
No que diz respeito ao ‘off company’, CONCORDO! rs….
Bj
5.
Thais | Outubro 7, 2008 at 3:11 pm
Lembro do dia do incêndio da fábrica de colchões e do papo que era queda do avião… O pessoal aqui da Faria Lima ficou em polvorosa, provando na pele que informações imprecisas e desencontradas só aumentam o caos.

Muito legal o texto, Si. Mas o que acontece quando uma empresa prefere não se posicionar a respeito de algum assunto crítico? Qual a postura do assessor nesses casos?
Beijos
6.
Cris | Outubro 7, 2008 at 8:02 pm
Acho o tema ótimo para reflexão, até porque nele temos diversas vertentes.
As crises acontecem há todos os momentos. O email recebe tudo o que escrevemos, mas não reproduzem com a fidelidade o que gostaríamos de transmitir.
E aquelas crises causadas num momento de comemoração ou de um anúncio super positivo por uma bobeada do porta-voz, que expressou uma opinião pessoal sobre algo, quando ele estava no papel de ‘representante da empresa’?
Mas a pergunta que não quer calar é: Temos como montar um comitê de crise para gerenciarmos as que nos aparecem por conta de um gerenciamento de crise “alheio”?? rs
Seu blog e assuntos estão cada vez melhores.
Quando virá o próximo post?
Bjo
7.
Simone | Outubro 7, 2008 at 8:13 pm
Oi, pessoal!
Perguntas difíceis… Thais, acho que se a empresa não quer se posicionar, o papel do assessor é mostrar o risco que ela corre com essa decisão. Se ainda assim a decisão persistir, acho que temos que preparar posicionamentos para os diversos cenários que a falta de transparência pode gerar…
Cris, o comitê de crise, em tese, está preparado para crises pequenas, grandes, nossas ou dos outros (que nos afetam). Ele existe mais para organizar os processos para que nada seja esquecido no momento do stress. Qto às escorregadas de porta-vozes, nos cabe gerenciar caso a caso mas, muitas vezes, não tem jeito mesmo…rs…
Obriagda pelos posts!
bjs