Informação ou Notícia?
Agosto 1, 2008
Há uma máxima no jornalismo que diz: “Quando um cachorro morde um homem, não é notícia. Quando um homem morde um cachorro, é notícia”. Quem fez faculdade de comunicação certamente já ouviu essa frase. Pois bem, na semana passada um garoto mordeu um cachorro e realmente foi parar na capa de todos os jornais do Brasil. Era pra ser, claro. Além de tudo ele foi um herói porque se salvou por causa da mordida…
Mas a discussão aqui não é essa… Na verdade, pessoas hoje em dia viram notícia por muito menos. E é sobre isso que convido vocês para uma rápida reflexão. Em que ponto uma simples informação ganha status de notícia e, consequentemente, as páginas dos jornais? Quando e em que condições vale a pena arriscar uma super exposição? Quando falamos de pessoas – celebridades e autoridades, por exemplo – é mais fácil entender e/ou explicar o excesso de reportagens (?) fúteis e sem conteúdo. Isso vende. E depois todo mundo esquece. É um tipo de notícia (?) dos mais perecíveis. Dura o tempo que se passa no cabeleireiro ou na sala de espera do dentista.
Na comunicação empresarial a história é outra. Para que uma determinada informação se torne notícia – pelo menos em veículos de credibilidade – é preciso um contexto inédito, interessante, inusitado, que afete muitas pessoas, que tenha dados de mercado, que seja corroborada por documentos ou fontes, que tenha prestação de serviço, que tenha entrevistados de ‘peso’, personagens e exemplos práticos, entre outros pré-requisitos. São muitos ingredientes, sim, e o ‘modo de fazer’ da receita muda de acordo com o perfil do jornal, do jornalista, do entrevistado, da cidade onde a notícia será publicada, da época do ano, do resultado esperado… Muitas vezes, dependendo do tema, uma notinha em um jornal de bairro repercute mais do que a capa do Estadão, acreditem ou não.
E é esse mapeamento, essa mistura exata de ingredientes, que nós, profissionais de comunicação corporativa, fazemos a todo momento. São muitas as informações, mas poucas as notícias. São muitos os jornais, mas poucos os espaços. Aproveitá-los bem – as notícias e os espaços – é nosso grande desafio.
Trabalhar para que o nome de uma determinada empresa cause em você, leitor deste blog, uma primeira boa impressão, não é trabalho de marketing nem se consegue comprando páginas nas revistas e minutos na TV. A impressão que você tem de qualquer marca é formada por aquela pequena frase sobre a empresa ou pela citação de um de seus executivos em uma matéria de jornal. Se o que vem à sua mente é bom ou ruim, depende do quanto e de como a companhia conseguiu transformar boas informações em boa notícias e informações ruins em notícias não tão ruins assim…
Não é fácil, mas é muito divertido!
bjs e até a próxima!
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1.
joaoccc | Agosto 1, 2008 at 11:16 am
Fiquei surpreso com a afirmacao ” Trabalhar para que o nome de uma determinada empresa cause em você uma primeira boa impressão, não é trabalho de marketing nem se consegue comprando páginas nas revistas e minutos na TV. A impressão que você tem de qualquer marca é formada por aquela pequena frase sobre a empresa ou pela citação de um de seus executivos em uma matéria de jornal”.
Sera mesmo que as pessoas de um modo geral respondem mais a decalracoes de executivos do que a propaganda?
2.
uzina | Agosto 1, 2008 at 11:56 am
É isso, Si. Fica mais divertido ainda com uma equipe coesa e que trabalha arduamente em busca das metas nas quais ela mesma acredita e as quais ela mesma também renova todos os dias.
Agora, o João colocou uma questão que me deixa reflexivo às vezes. Suponhamos que duas empresas, a “x” e a “y”, tenham entendimentos opostos quanto ao valor de notícia e de propaganda, assim como propõe o João. Pensando em trabalhar a reputação, a “x” investe em assessoria de imprensa e a “y” apenas em marketing, em patrocínios e em espaços qualificados da opinião pública — mas pagos.
Quais serão as vantagens e desvantagens sob o ponto de vista da reputação — apenas da reputação; aqui nada de vendas — entre as empresas “x” e “y”?
Beijo, Si!
3.
Thiago Reimao | Agosto 1, 2008 at 1:46 pm
Si,
Com relação a primeira parte do seu texto, eu tenho uma teoria: hoje em dia temos uma proliferação de um tipo de notícia, a “notícia não-notícia”.
Um exemplo prático disso é a home do Globo.com. Ele possui um header, com as “principais” notícias e, logo abaixo, 3 colunas: uma com notícias gerais, outras de esportes e outra de celebridades.
Como a web é dinâmica, e eles são obrigados a preencher esses espaço pré-determinados, não raro encontramos “notícias” como “Claire de ‘Heroes’ pára porsche mal e é multada”, ou então “FOTO: a Ferrari que Schumi teria batido”
Meu, uma mina bater um carro e uma foto que o Schumi TERIA batido. TERIA!
Repare, na home de qq portal grande, a quantidade de verbos usados no Futuro do Pretérito: teria, seria…
Para preencher espaços, a POSSIBILIDADE de algo ter acontecido já vira “notícia”. Ou melhor: “notícia não-notícia”
Beijos!
Santos
4.
Rogerio Santos | Agosto 1, 2008 at 8:58 pm
Eu acho a comunicação corporativa chata mas eficiente. Chata no sentido de que eu nunca vou ler uma notícia ruim a respeito de uma marca ou de uma empresa. E por isso eficiente. Mas confesso que terei que pensar muito a respeito do que você escreveu. Principalmente no verbo que você usou no final – transformar.
5.
Simone | Agosto 2, 2008 at 12:40 am
Foi por isso que me referi que a impressão passada pelas matérias – e não pelos anúncios – é diferente na cabeça dos leitores desse blog: pessoas que conseguem diferenciar o que é “pago” do que é “fato”. A palavra exata seria a reputação da companhia e não propriamente a sua imagem.
E, qto à afirmação do Roger, outro esclarecimento: a comunicação corporativa, por mais eficiente que seja, não consegue excluir notícias negativas sobre uma empresa. O que consegue – quanto muito – é diminuir um pouco o estrago que a notícia pode causar…
6.
Thiago Reimao | Agosto 4, 2008 at 3:33 pm
Oi Si!
Mais um fato, que corrobora com meu pensamento: hoje de manhã, no SporTV, estavam passam o treino da seleção olimpica, que entrará em campo daqui a uma semana.
TREINO DE SELEÇÃO OLIMPICA?? Onde que isso é notícia?
A mídia criou tantas alternativos, canais, espaços, que hoje eles precisam “criar” uma notícia, para preenchê-los.