O início ou o fim anunciado?
Maio 24, 2008
Vejam os números: a tiragem de jornais como Folha de S. Paulo e O Globo (os dois maiores do Brasil), com média de 300 mil exemplares/dia, tem se mantido estável nos últimos anos, com variações de 1% a 3%, para mais ou para menos.
Por outro lado, jornais populares como o Meia Hora (RJ), Super Notícia (MG) e Diário de S. Paulo tem apresentado números incríveis de aumento de circulação com 76%, 58% e 11% respectivamente mais de 2006 para cá. A boa notícia é que parece que os brasileiros começam a ler mais, principalmente a mídia rápida e de fácil “digestão”. Estes jornais, sempre muito baratos (são encontrados por até R$0,50), trazem as principais notícias de maneira leve e vocabulário simples. Notícias mais ‘populares’, como esporte, televisão e diversão tem mais destaque. Mas tudo bem. Se para ler com atenção a notícia de que Ronaldinho saiu com travestis o brasileiro passar o olho em informação sobre política (ou economia), na minha opinião esses jornais cumprem seu papel.
O auge da civilização será o dia em que, como em alguns locais da Europa, esses jornais estiverem disponíveis como “cortesia” em metrôs, ônibus ou praças públicas. Isso acontecerá, quem sabe, em um futuro muito distante, mas pode ser.
Hoje em dia, o jornal gratuito – pasmem – é para ricos no Brasil. Em São Paulo, dois títulos – Metro e Destak – disputam as esquinas mais movimentadas da cidade e seus motoristas estressados no trânsito. Os jornais são muito bem feitos, diga-se. Rápidos, completos, práticos. Daqueles que dá pra ler numa viagem ao trabalho mesmo. Mas não são para quem não pode comprar jornais. São para aliviar executivos atrasados. Executivos que, ao ligar o computador no escritório – ou em casa, antes de sair – já viram as principais notícias na tela, analisadas por especialitas e já com a repercussão esperada pelo leitor.
Daí a confirmação do dado do primeiro parágrafo deste post. Esse executivo vai ler a edição impressa da Folha ou do O Globo?
O jornal, produto com o menor prazo de validade que existe, está cada dia mais efêmero. Muitas vezes, a edição da banca já foi ultrapassada em novidade pela sua própria edição online, muito mais rápida e eficiente.
Ponto para o jornal popular - como vimos – que não tem a concorrência virtual (hoje no Brasil, menos de 7% da população tem acesso à banda larga) e cumprem a função de tornar esse País mais letrado.
bjs e até a próxima!
Simone
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1.
Juliano Rigatti | Maio 26, 2008 at 3:26 am
É a estréia do Blog, chefinha? Parabéns!
Lerei sempre q der.
Sobre os pop jornais.. poizé, Si..
Aqui em Porto Alegre, o fenômeno é igualmente crescente. Espanta ver a quantidade de leitores “não-assíduos” (se é que me fiz entender) em trens e ônibus com o jornal Diário Gaúcho nas mãos — o diário do grupo RBS (afiliada da Globo) ocupa a espantosa 2ª posição nacional, desbancando os grandes centros populacionais do país. E ele faz um bom jornalismo. A página 2 recentemente incluiu fatos de destaque na Imprensa nacional justamente (inclui o jargão do Juvenal Antena para eu tbm tornar meu comentário mais, digamos, popular) para começar a informar com mais amplitude o leitor até então atraído pela manchete, pela falta de água que vai impactar na sua vida ou pela bunda (sejamos francos) de uma ex-BBB.
Não sabia desse tal jornal “de grátis” pra granfino aí.. legal.
Esse assunto dá pano pra manga..
Beijo!
2.
Mari | Maio 26, 2008 at 5:07 pm
Esta discussão é bastante interessante. Tenho acompanhado defesas calorosas das duas mídias (online e impresso) e acho que o fim do jornal impresso seria algo catastrófico. Mas, é inevitável que seu espaço diminua, uma vez que, como vc mesma disse, ele fica ultrapassado à sua versão online. Acho que a tendência, a longo prazo, já que um número pequeno de pessoas tem acesso a internet no País, é a congruência das duas mídias com o jornal se adaptando à interatividade proporcionada pela rede. Veja a formatação dos jornais que citou, Metro e Destak. Eles têm layout bastante parecido com sites. A última reformulação do layout da Folha de S.Paulo também atendem o que eu chamo de “padrões virtuais de leitura”, rs. Não sei se o jornal terá, no futuro, as características que hoje atribuímos às revistas, que é o conteúdo mais aprofundado e trabalhado. Não sei se este será seu papel. Ainda estou refletindo a respeito. Mas, o que sei é que adoro os jornais gratuitos e torço para que a distribuição fique mais homogênea às diferentes classes. Sei que hoje são distribuídos nos grandes centros urbanos, nas esquinas mais “abastadas”. Mas, sei também que eu pegava uma lotação que o cobrador recebia vários e distribuia para as pessoas que entravam. E, sei mais ainda, que pessoas que dormiam nas poltronas hoje lêem (desde as últimas sobre as peripécias ronaldianas, passando pela importância do consumo consciente, até um artigo sobre a dança das cadeiras de ministros). E isso é fantástico!
3.
Denise Neves Santos | Maio 27, 2008 at 10:08 am
Simon, voce tem um blog! Uau!
Permita-me colocar um ponto: o jornalzinho “Destak” é distribuído gratuitamente nos trens da CPTM também, e o povo lê sim!! Era toda quinta-feira se não me engano… A única coisa que acho ruim é que no Brasil, diferentemente da Europa, as pessoas levam o jornal para casa ou o jogam fora para não “sujar” o metro… é uma pena… mais pessoas poderiam ler o mesmo jornal…
Beijos, D!