A polêmica do diploma
Demorei um pouco pra falar desse assunto, é verdade… Esperei os ânimos se acalmarem porque o tema foi fruto de discussões infinitas e inconclusivas. A verdade é que vou meio contra a maré dos meus colegas e isso tem incomodado um pouco. Sou contra a obrigatoriedade do diploma. Não acho que uma faculdade garante que tenhamos bons profissionais.
Pra mim, a discussão deve ser outra, muito mais voltada à qualidade do ensino do que ao pedaço de papel que ele entrega no final… Mas isso não cabe agora, deixemos pra depois.
Meu ponto é: acho, sim, que deveria haver um curso para que pessoas que gostem de escrever ou desejem fazê-lo profissionalmente, possam se aprimorar tecnicamente. Mas imagino que um curso de um ano resolva. Até porque, quem seleciona os profissionais é o mercado. Não dá pra imaginar que só porque agora o diploma não é necessário, qualquer pessoa vai sair assinando matérias em jornal. Não é nada disso. Quem não for bom, não escrever bem, não for coerente, não se estabelece. Tendo o diploma ou não.
Escrever bem, didaticamente, imparcialmente, não se aprende na faculdade. Se aprende estando atualizado, lendo, lendo, lendo. E lendo mais: jornais, revistas, livros, bulas de remédio… Qualquer coisa! Este é o primeiro passo. Se um economista consegue traduzir o mercado financeiro de forma que a minha avó entenda (rs), o que me faz pensar que um jornalista faria melhor?
O principal ponto de quem defende o diploma com unhas e dentes é o fato de quem, sem a obrigatoriedade o mercado vai acabar demitindo jornalistas formados para trocá-los por mão de obra mais barata, sem faculdade. Sinceramente, vocês acham que corremos esse risco? Eu acho exatamente o contrário!
Vou além: acho que a não obrigatoriedade do diploma vai nos fazer jornalistas melhores. Porque o tempo que gastamos (e gastamos mesmo) nos bancos das faculdades de comunicação pode ser melhor utilizado. Vamos fazer ciências políticas, economia, filosofia, direito, biologia… Para ser jornalistas! Isso vai fazer profissionais melhores, com mais conteúdo. A técnica pode ser aprendida num curso técnico, afinal.
Eu tenho diploma, tenho o MtB (registro necessário para trabalhar como jornalista) e essa lei diretamente me afeta. Mas não posso ser ingênua a ponto de brigar pelo meu diploma sabendo que ele não faz tanta diferença. O que sei hoje, aprendi no dia a dia, e não na faculdade. E acho que isso vale para inúmeros cursos, não só para jornalismo. Se trocássemos esses milhões de cursos superiores por cursos técnicos, aproveitaríamos muito mais o tempo dos profissionais.
E tempo, esse sim, vale ouro!
Bjs e até a próxima!
3 comments Julho 3, 2009
Communications: that’s it!
Uma grande reuniao de acionistas de uma grande empresa pode parecer algo trivial, mas a que vi hoje supera qualquer expectativa. Foi um grande evento de comunicacao. A ideia fundamental, claro, e comunicar para os ’shareholders’ o que a companhia fez no ultimo ano, numeros, etc. Prestar contas, como qualquer reuniao desse tipo. Mas a comunicacao aqui vai tao alem disso que impressiona mesmo quem vem ‘blindado’ a isso.
Primeiro porque muitos funcionarios da empresa – do mundo inteiro – sao convidados a participar. Eram mais de 16.000 pessoas hoje, as 7h00 da manha, em um estadio de basquete do Arkansas (do clube Razorbacks, representado por uma especie de ‘porco’) ansiosas pelo o que estava por vir. A comunicacao, nesse caso, a ‘prestacao de contas’ da empresa, era pra eles tambem, afinal. E para que a atencao fosse total, principalmente dessas pessoas que nao tem acoes da empresa, nada como um mestre de cerimonias que entretenha e que surpreenda. O escolhido deste ano foi ninguem menos que Ben Stiller. (vou postar a foto que ele aparece melhor!!!)

Apresentando o evento no melhor estilo do Oscar – com boas piadas e outras que so os americanos acham graca - ele deixou a cerimonia mais leve mesmo nos momentos em que se falava de numeros e resultados. Por volta das 8h30, chama ao palco a ‘postar teen’ americana, Hannah Montana. Os expectadores – a maioria aqui dos EUA, claro – deliravam e assim a empresa comunicava que faz bem feito e faz isso para eles, os associados.

Ainda na parte “entretenimento”, Michael Jordan foi dar uma “palhinha” do seu basquete e a manha terminou com Smokey Robinson, um icone americano dos anos 70. Ben Stiller, nas idas e vindas do palco ao backstage, acabou agradando (de nao muito boa vontade, diga-se) alguns mais exaltados com a sua presenca…
Comunicar para todos esses ’stakeholder’ nao e facil. Para todos de uma vez – alguns clientes foram convidados tambem – parecia ser tarefa quase impossivel. Mas nao foi. Misturando diversao e business, a empresa conseguiu passar todas as suas mensagens, deu informacoes importantes, dividiu conquistas, reconheceu pessoas. E todos sairam satisfeitos e agradecidos por estarem ali, certamente mais felizes por, de alguma forma, fazer parte dessa historia. Um grande gol da comunicacao integrada.
Imprensa e um caso a parte. Eu, na minha humilde carreira, so tinha viso algo assim em filmes: varias cameras de TV, milhoes de cameras fotograficas com suas objetivas que mais pareciam telescopios e nada menos que 90 jornalistas. Antes do evento de hoje, propriamente dito, a semana teve ainda 2 coletivas – uma para a area internacional e uma para todos juntos – e algumas entrevista exclusiva quando cada presidente atendeu a imprensa do seu pais.


Hoje, depois da reuniao, outra grande coletiva aconteceu, com todos os principais executivos mundiais. E, em todos esses momentos, os 90 jornalistas acompanharam com atencao. Outro grande gol.
Pra mim, nesse ponto, foi uma licao e tanto. Licao de organizacao, licao de follow-up, licao de informacao online (os releases foram saindo a medida que as apresentacoes e discursos acabavam). Licao de como e possivel fazer isso acontecer mesmo com tanta gente e tantos interesses distintos. Essa foi a 39a edicao da Shareholders Meeting e eles devem achar tudo natural… Mas so mesmo quando acaba – agora – a gente acredita que deu certo.
Sensacional. So isso.
bjs e ate a proxima,
3 comments Junho 5, 2009
Just a little bit of tourism…
Sei que o blog e sobre comunicacao, mas nao posso deixar de escrever sobre minhas impressoes como turista. Bentonville e uma das cidades que compoe o “notrthwest Arkansas”, que tem tambem Fayetteville – onde ficam os grupos de funcionarios dos paises e onde sera o grande evento dia 5 – e Rogers – onde fica meu hotel e onde estou agora. As cidades se misturam um pouco porque sao bem proximas. Alem dessas, ha tambem a cidade de Springdale, mas essa nao esta incluida no roteiro…rs…. Ao todo, todo o “northwest Arkansas” tem pouco mais de 400.000 habitantes (segundo o Wikipedia, que deve ter inflacionado esse numero pelo que vejo por aqui…).
Como aluguei um carro (vejam a foto), ficou facil explorar a regiao.

Olhem o caminho do aeroporto para o hotel. A cidade e toda assim (tirando algumas avenidas princiais), muito verde e com poucas casas. Predio? Nenhum!

Gracas a tecnologia, fiz uma amiga a mais: a moca que fala no GPS. Embora ela me de algumas broncas (pq mesmo assim eu erro! e a palavra que ela mais usa e “recalculating”) esta me fazendo chegar em todos os lugares muito facilmente. Estou apaixonada por esse aparelhinho…
Voltando: em qualquer lugar que se va aqui, as pessoas sabem que viemos pra Shareholders. E um dos principais eventos da regiao e as cidades recebem, nessa semana, mais de 25.000 pessoas de fora. O comercio espera por isso e quando cheguei ate a emissora de TV local estava no aeroporto fazendo a materia sobre a chegada dos “turistas”. Restaurantes e pequenas lojas se preparam para a “multidao”…
Os shoppings aqui sao algo misterioso. Sao grandiosos, lindos (a ceu aberto, como vcs podem ver na foto), com lojas enormes. E vazios!!! Claro, nao ha populacao para eles, ao que parece…. Dificil dizer como sobrevivem. Se nessa semana, que as cidades estao, digamos, lotadas, os shoppings estao as moscas, imaginem numa semana normal?
Mas, enfim, o que vale e que sao muuuuuuito charmosos. Vejam:

E tem ate cinema!!!

E e so o que se tem pra fazer, tirando as lanchonetes. Aqui tem 4 Mc Donalds em uma unica avenida, Arbys, KFC, Dennys (esse vai merecer um post separado, aguardem), Wendys, Pizza Hut e por ai vai. De qualquer forma, um ou dois sao 24 horas e os outros fecham as 20h!!! E, se vc for as 19h30 nao ha mais ninguem…. Engracadissimo.
As cidades nao tem transito – aqui, as 18h (o rush) e como se fosse as 2h da manha em SP, pra vcs entenderem – e os motoristas sao muito educados. Nem buzinaram nas minhas barbeiragens de iniciante no cambio automatico.
Eu e meus dois amigos “jornalistas-turistas”, Tatiana e Elio estamos nos divertindo muito juntos e gastando muito tambem. Os brasileiros tem que aproveitar pra comprar eletronicos por aqui. E muito mais barato. Um iPod Nano, que no Brasil custa R$900,00, aqui sai por US$145,00! Ja perdi a conta de quantas lojas visitamos.
Enfim, voltaremos felizez, porem muito mais pobres. Aproveito para apresenta-los a voces. Nesta foto estamos no Dennys.

Prometo voltar ao assunto do blog no proximo post. Mas nao dava pra deixar passar…
bjs e ate a proxima,
Simon
Obs: continuo no teclado americano… Sem acentos….
5 comments Junho 4, 2009
Quite an experience!
Ola, pessoal!
Tem momentos na nossa vida profissional que devem ser explorados. Explico: nesse exato minuto escrevo dos Estados Unidos, onde vim participar de uma grande reuniao da empresa. Estou acompanhando jornalistas brasileiros convidados para o evento, ajudando-os com informacoes e mostrando tudo de bacana que fazemos, nossa historia e cultura, etc. Ate ai, tudo normal (mesmo fora do Brasil). O bacana nisso tudo e que sao 16 paises e em todos eles ha uma ‘Simone’ e seus jornalistas convidados. E embora seja uma unica empresa e todos os que estao no meu papel tenham a mesma funcao, as culturas misturadas sao uma verdadeira aula.
Cheguei aqui sozinha e, confesso, estava bastante insegura no inicio. Encontrei meus ‘pares’ americanos e, gradativamente, meus pares internacionais. Alguns, digamos, parecidos, como os chilenos, por exemplo. Outros completamente diferente, como os indianos. Por razoes opostas, me aproximei mais desses dois grupos. Com os chilenos – assessor e jornalista – fomos as compras. Nos auto denominamos ’south america group’, (pode parecer estranho, mas nos comunicamos apenas em ingles) e pareciamos 5 brasileiros amigos de infancia. Falamos bem pouco de trabalho e percebemos que nosso dia a dia e muito similar e as cidades (no caso, Sao Paulo e Santiago), tambem.
Com os indianos, por outro lado, a aproximacao foi muito mais devido as curiosidades culturais de ambos os lados. Eles levam uma vida parecida com a nossa no trabalho mas devem adequar isso a cultura indiana tao forte. Por exemplo: jantar as 7h, como fazemos aqui, pra eles e como se fosse um ‘lanchinho da tarde’. La, como a familia e muito valorizada e todos devem jantam juntos, essa refeicao e feita la pelas 22h, 23h. Outra curiosidade e que somos similares tambem na maneira de celebrar momentos. Hoje cedo aconteceu a parte internacional da reuniao, onde os paises falam do seu desempenho e terminam com algo tipico. O Carnaval do Brasil e a danca indiana quase poderiam se misturar. A animacao era a mesma nas duas ‘delegacoes’ e ambas fizeram os 2.000 convidados levantarem. Mas na India tudo e mais contido, menos ousado. As mulheres, mesmo dancando, pouco olham para cima, as roupas sao comportadas e as dancas sao individuais.
Como no Japao. No jantar de boas vindas da comitiva internacional ontem (cerca de 40 pessoas) enquanto todos se comunicavam efusivamente, se conhecendo aos poucos e reconhecendo quem era famoso por e-mail, os japoneses ficavam sorrindo, sentados, parecendo achar meio ‘absurdo’ sairmos da mesa e falarmos alto num restaurante com tantas pessoas… Por outro lado, quando sentei ao lado de um deles para puxar uma conversa, fui recebida com um calor quase latino, como se eles estivessem suplicando para fazer parte do grupo mais animado sem coragem de demonstrar essa vontade…
Mesmo assim, quando falamos do cotidiano do trabalho, tudo e exatamente igual, em todos os lugares. Alguns paises com mais facilidade para divulgar certos assuntos – como moda no Reino Unido ou diversidade no Mexico – outros com poucos veiculos de comunicacao, ou veiculos do governo, outros com jornais tao segmentados que da pra divugal um tema para cada um simultameamente. Enfim, no fundo cada tem a sua peculiaridade mas as mensagens e formas de aproximacao sao as mesmas.
Justamente por isso, impressiona ver que juntos os 16 paises sao um so. A comunicacao corporativa e bastante respeitada igualmente por qualquer operacao, que sabe ser fundamental o trabalho de comunicacao para a imagem da companhia, seja ela onde for.
Fascina tambem ver que a linguagem – e a lingua – nos fazem cidadao do mundo. Dizem que o primeiro passo e o mais dificil de todos. Na verdade, o dificil e encarar o desconhecido e por isso sofremos por atencedencia. A medida que conhecemos o que esta por vir, percebemos que nao e tao dificil assim e a nuvem vai se dissipando…. A inseguranca que citei no inicio do post se foi quando percebi que consegui fazer tudo sozinha: alugar o carro, dirigi-lo (nunca havia dirigido um carro automatico, mas isso merce outro post, mais engracado!), chegar ao hotel, encontrar as pessoas na Universidade do Arkansas, sair pra jantar, fazer compras. Praticamente uma cidada de Bentonville!
Essa empresa e unica, bem como essa experiencia. Estou aprendendo muito profissionalmente, trocando muita informacao e conhecendo muita gente bacaba. Mas o que levo, pessoalmente, dessa jornada (que ainda esta na metade, aguardem!) e o que aqui chamam de ‘priceless’.
Escreverei mais, com certeza!
bjs e ate a proxima,
Simon
OBS: Nada tem acento pq estou no teclado americano. Desculpem!
7 comments Junho 3, 2009
Alinhando Expectativas
Se vc é profissional da área de comunicação corporativa, certamente já se frustrou por saber que está apresentando um projeto sensacional que, ao chegar ao staff da empresa, é barrado como se fosse insignificante. Não temos resultados tangíveis e isso faz com que tenhamos que provar o tempo todo o valor da nossa existência.
Num cenário como o atual, com demissões em massa por grandes companhias mundo afora, o papel da comunicação é cada vez mais estratégico mas, paradoxalmente, está cada vez mais na berlinda, naquela parte das frias planilhas ilegíveis do que “dá pra viver sem”. Será?
A história muda – pelo menos momentaneamente – quando, via comunicação (ou seja, sem gastos extras), conseguimos ganhos de imagens fundamentais em momentos de incerteza. Na comunicação interna, por exemplo, funcionários bem informados tem mais perspectivas e sabem onde estão pisando, o que faz toda a diferença quando tudo o que vem de fora é muito negativo.
Falando de assessoria de imprensa, especificamente, uma matéria no Estadão, no O Globo, na Veja, no Jornal Nacional, que fale bem da sua empresa não tem preço numa hora dessas. O desafio é mudar o ‘mind set’ de executivos que compreensivelmente não alcançam a importância desse diferencial.
Nosso papel, além de conseguir espaço de qualidade nesses veículos é também o de convencer que meia hora fora da concentração do dia a dia pode render frutos inimagináveis. Somos profissionais de relacionamento (ficou estranho…rs…). Relacionamento para persuadir o chamado público interno e relacionamento para sair bem diante do externo.
É uma delícia… Às vezes, muito frustrante. Mas vale quando, em um trubilhão de pautas, notícias e entrevistados se matando por um centímetro na imprensa, somos escolhidos pela qualidade da informação o papel estratégico fica claro. Dá um alívio ver a coisa acontecer, embora isso necessite de uma conjunção praticametne cósmica…rs…
Tem coisas mais práticas e mais objetivas. Finanças, por exemplo. Mas mesmo os números ganham mais sabor se comunicados de maneira correta….
bjs e até a próxima,
2 comments Fevereiro 4, 2009
Crise, crise, crise
Sei que a crise começou já faz um tempo e que já deveríamos ter nos acostumado com as notícias sobre o assunto. Mas confesso que fico cada vez mais assustada. Esta semana, lendo a Folha, tive vontade de fechar o jornal, jogar tudo para o alto e correr. Afinal, estava “óbvio” que ninguém escaparia.
Primeiro a demissão de mais de 1.300 da Vale. Logo a Vale, empresa sólida, orgulho brasileiro…. O outro orgulho, a Petrobrás, também anda mal das pernas (se é que isso é possível) com a queda do preço do petróleo. Dá pra imaginar?
Na mesma Folha, a previsão da Abimaq de uma “carnificina do emprego” depois do Natal. Sim, era esse mesmo o termo na manchete do jornal. O caderno de economia acabava com fatos reais de desemprego – e desespero – nos Estados Unidos, onde mais de 350.000 pessoas já são vítimas da crise.
Assusta o fato de ainda não haver luz no fim do tunel, se é que já chegamos pelo menos ao túnel. Parece que o Brasil vai adentrar esse turbilhão escuro de recessão só mesmo depois do Natal, quando o alívio momentâneo do décimo terceiro estiver diluído em milhões de parcelas, das dívidas de fim de ano.
Mas o que a comunicação tem a ver com isso tudo? O que nós, profissionais da área, podemos fazer? A imprensa, embora cumpra o papel de informar, às vezes peca em alguns exageros e análises mais parciais. Afinal, não há nada – nem espaço na página – que possa tirar o foco desse momento econômico histórico.
Por outro lado, nós que trabalhamos em departamentos de comunicação de grandes companhias, ficamos sem saber o que o futuro próximo nos reserva. Quantas empresas tem a área de comunicação corporativa num lugar tão estratégico a ponto de não estar na linha de corte quando – e se – a crise chegar de verdade? Difícil responder…
Por enquanto, vamos ajudando as empresas a nos ajudarem. Resta saber até quando resistiremos… Boa sorte a todos!!!
bjs e até a próxima!
4 comments Dezembro 8, 2008
Sustentabilidade, o que é isso?
Aposto que muitos já torceram o nariz só por ver a palavra no título… Ou pensaram: lá vem mais uma tentar salvar o planeta. Na verdade, sustentabilidade virou, no jargão popular, “carne de vaca”, mas nunca foi tão primordial pensar nas nossas atitudes e em como elas influenciam negativamente para o futuro.
É verdade que a nossa contribuição para o aquecimento global está longe de ser a maior, mas sustentabilidade não é só isso. Não podemos negar o fato de que, se quisermos deixar um mundo razoável pros nossos filhos e netos, já estamos atrasados. A natureza não consegue mais repor o que gastamos e, se continuarmos nessa levada, em 50 anos não teremos mais recursos naturais básicos. Não disse 500, disse 50 anos!
Cada um pode fazer um pouco e o mais usual é pensar em coisas como banhos mais curtos, luzes apagadas e compras responsáveis, o que significa não desperdiçãr e avaliar a empresa que fabrica o produto que precisamos. Algumas companhias também tem pensado nisso seriamente. O Banco Real, por exemplo, está restringindo crédito a fabricantes de armas e cigarros, por exemplo e facilita a operação em caso de empresas ambiental e socialmente responsáveis. A Coca-Cola tem um forte programa de ‘devolver’ para a natureza a água que retira, em melhor estado. O Café do Ponto tem uma linha de cafés “fair trade”, o que significa que o produto foi feito respeitando a natureza, por famílias que tem seus filhos na escola e que ganham honestamente, independente de safras. O Wal-Mart, mundialmente, tem metas agressivas de redução de lixo e energia e já anunciou que vai diminuir em 50% o uso de sacolas plásticas até 2012. No Brasil, constrói lojas mais ‘verdes’ e estimula a produção de itens orgânicos, entre outras coisas. O Pão de Açúcar promove esporte e música para jovens carentes. E por aí vai…
Mas todos nós, responsáveis pela comunicação de empresas que fazem algo para o bem do planeta – e delas próprias, claro! – temos que ter em mente que, num país predonimantemente pobre e ignorante, o que significa reduzir a emissão de créditos de carbono para quem não tem o que comer? O que adianta dizer que é preciso economizar energia para quem nem tem luz elétrica em casa? E para preferir produtos orgânicos quando a preferência é por ter alimento, qualquer um?
Dos três pilares da sustentabilidade – econômico, ambiental e social – precisamos pensar neste último como prioridade. Não vamos eliminar os outros nem podemos ser assistencialistas nem paternalistas. Mas a conscientização – e é aí que está a chave do sucesso da sustentabilidade – tem que se dar gradativamente, por meio de avanços sociais. Pessoas mais inseridas na sociedade e mais cidadãs vão contribuir com o planeta, com elas ou com qualquer outra causa, de maneira muito mais consciente e permanente.
Minha empresa estimula que seus funcionários tenham projetos pessoais de sustentabilidade, que podem ser desde algo ligado à saúde (como parar de fumar, comer melhor) até compras conscientes ou voluntariado. O meu projeto é mobilização e espero que este post contribua para que ele avance.
Vamos fazer a nossa parte mas vamos inserir nessa parte – qualquer que seja – algo para o bem das pessoas. Sem elas, nao adianta ter um planeta saudável…
bjs e até a próxima!
7 comments Outubro 18, 2008
A comunicação em momentos de stress
O mundo de hoje e a facilidade de acesso à informação, cada vez mais rápida, faz a gente trabalhar em constante stress. Tudo deve ser respondido e resolvido ontem, mesmo que só vá acontecer amanhã…
Algumas vezes, quando o stress realmente tem razão de ser e o posicionamento deve ser bastante alinhado para não deixar arestas, acontece o que corporativamente chamamos de “gerenciamento de crise”. É assim: algo muito grave acontece (cai um avião, um produto estragado faz vítimas, um prédio desaba, informações confidenciais vazam…), pessoas escolhidas antecipadamente se trancam numa sala para resolver a questão e dividir pontos de vista, ações são propostas, estudadas e colocadas em prática. Pronto. Simples assim? Claro que não! Muitas vezes (quase todas), já no primeiro estágio do processo, a mídia já está sabendo e a crise é potencializada.
É por isso que cada vez mais a presença de alguém de comunicação no comitê de crise é fundamental. A agilidade na resposta, o conteúdo, a transparência e o acesso fazem a diferença nessas situações. Informação precisa, honesta e, acima de tudo, imparcial é o primeiro passo para que boatos não virem o título das matérias. Ter um manual de crise e um processo pre-definido ajuda muito.
Lembram do caso do ‘buraco do metrô’, em São Paulo? As construtoras demoraram para dar informação e os jornalistas estavam no local ávidos por notícias. De repente, uma pessoa engravatada chegou lá disposto a falar com a imprensa e começou a explicar o ocorrido para todos que estavam no local. Em pouco tempo, foi retirado de lá pelos assessores, que não o conheciam (a pessoa não estava envolvida). Acreditam? É, tem louco pra tudo mesmo…. Ele falou pouco, mas o suficiente para que rádios e sites, que são mais rápidos, publicassem coisas absurdas sobre o acidente.
Outro exemplo, mais recente, foi um incêndio numa fábrica de colchões próxima ao aeroporto de Congonhas (SP), que se transformou em acidente aéreo, com vítimas e tudo, na boca de repórteres de rádio que, vendo a grande quantidade de fumaça e a localização, deduziram que tinham um furo de reportagem. O próprio Heródoto Barbeiro contou essa ‘gafe’ recentemente.
Enfim, não importa o tamanho da crise, falar com a imprensa e ser transparente é a melhor solução para evitar notícias desencontradas que se replicam com efeito dominó rapidamente. Mesmo sem informações precisas, mostar a cara para pelo menos dizer que tudo está sendo apurado e que os interessados serão informados é o melhor a fazer, sempre.
Aliás, até mesmo na vida ‘off-company’, a honestidade e a transparência normalmente funcionam mais…rs…
Concordam?
bjs e até a próxima!
7 comments Outubro 3, 2008
Informação ou Notícia – parte II
Como meu post anterior gerou muita polêmica e o assunto realmente merece , resolvi retomar o tema e tentar “clarear” alguns pontos. Quando falei que as matérias em jornal contibuíam mais para a imagem da empresa do que as propagandas, me referi, na verdade, à reputação de uma companhia. Imagem, sim, mas num sentido mais ‘profundo’.
Semana passada participei de um fórum promovido pela ABA (Associação Brasileira de Anunciantes) que debatia a dificuldade de medir o ROI – retorno de investimento – em ações de comunicação. As discussões foram muito ricas mas quase que 100% dos dados – e dos participantes – eram de profissionais de marketing e discutiam o retorno financeiro de suas ações/anúncios. Quanto a mais de sabonete a empresa X conseguiu vender depois da campanha Y? São números, são dados, são mensuráveis. Não é 100% ‘crível’, já que não dá pra saber o quanto do aumento de vendas se deveu ao comercial, mas é bem próximo da realidade.
Em um determinado momento questionei como medir esse retorno (sim, também sou cobrada por resultados e tenho metas!) em ações com a imprensa, por exemplo e como eles mediriam o valor de uma matéria positiva em um jornal de grande circulação.
A realidade é que não há métrica, a não ser a centimetragem da reportagem e seu valor se o espaço fosse utilizado para um anúncio (o que é questionável). O quanto a matéria impacta no leitor e, mais ainda, no consumidor, ainda é algo muito difícil de medir.
O que ficou claro, porém, é o inquestionável valor dessa tal reportagem em situações de crise das empresas. Costumo dizer que a missão da comunicação corporativa é criar uma imagem positiva da companhia e melhorar cada vez mais sua reputação mas, mais do que isso, criar musculatura para absorver adversidades que podem ocorrer – e ocorrem. Algumas simples e pontuais, outras mais complexas.
Em situações de crises graves, como acidentes aéreos ou contaminações de produtos, por exemplo – a primeira ação efetiva das companhias é suspender imediatamente qualquer tipo de propaganda e acionar a comunicação corporativa para dar o correto direcionamento. Isso é cuidar da reputação. Isso é ir mais fundo.
Do outro lado, a reputação gera uma certa “admirabilidade” (segundo o Heródoto Barbeiro) e é o que faz a pessoa optar pela empresa A ou pela empresa B se as duas oferecerem o mesmo serviço pelo mesmo preço. E se a pessoa opta, a empresa ganha. E ganha dinheiro. E, se ganha dinheiro, há retorno de investimento.
O difícil é saber quanto. Mas, enquanto as companhias valorizam cada vez mais seus departamentos de comunicação, entendo que o investimento tem valido a pena…
Beijos e até a próxima!
3 comments Agosto 12, 2008
Informação ou Notícia?
Há uma máxima no jornalismo que diz: “Quando um cachorro morde um homem, não é notícia. Quando um homem morde um cachorro, é notícia”. Quem fez faculdade de comunicação certamente já ouviu essa frase. Pois bem, na semana passada um garoto mordeu um cachorro e realmente foi parar na capa de todos os jornais do Brasil. Era pra ser, claro. Além de tudo ele foi um herói porque se salvou por causa da mordida…
Mas a discussão aqui não é essa… Na verdade, pessoas hoje em dia viram notícia por muito menos. E é sobre isso que convido vocês para uma rápida reflexão. Em que ponto uma simples informação ganha status de notícia e, consequentemente, as páginas dos jornais? Quando e em que condições vale a pena arriscar uma super exposição? Quando falamos de pessoas – celebridades e autoridades, por exemplo – é mais fácil entender e/ou explicar o excesso de reportagens (?) fúteis e sem conteúdo. Isso vende. E depois todo mundo esquece. É um tipo de notícia (?) dos mais perecíveis. Dura o tempo que se passa no cabeleireiro ou na sala de espera do dentista.
Na comunicação empresarial a história é outra. Para que uma determinada informação se torne notícia – pelo menos em veículos de credibilidade – é preciso um contexto inédito, interessante, inusitado, que afete muitas pessoas, que tenha dados de mercado, que seja corroborada por documentos ou fontes, que tenha prestação de serviço, que tenha entrevistados de ‘peso’, personagens e exemplos práticos, entre outros pré-requisitos. São muitos ingredientes, sim, e o ‘modo de fazer’ da receita muda de acordo com o perfil do jornal, do jornalista, do entrevistado, da cidade onde a notícia será publicada, da época do ano, do resultado esperado… Muitas vezes, dependendo do tema, uma notinha em um jornal de bairro repercute mais do que a capa do Estadão, acreditem ou não.
E é esse mapeamento, essa mistura exata de ingredientes, que nós, profissionais de comunicação corporativa, fazemos a todo momento. São muitas as informações, mas poucas as notícias. São muitos os jornais, mas poucos os espaços. Aproveitá-los bem – as notícias e os espaços – é nosso grande desafio.
Trabalhar para que o nome de uma determinada empresa cause em você, leitor deste blog, uma primeira boa impressão, não é trabalho de marketing nem se consegue comprando páginas nas revistas e minutos na TV. A impressão que você tem de qualquer marca é formada por aquela pequena frase sobre a empresa ou pela citação de um de seus executivos em uma matéria de jornal. Se o que vem à sua mente é bom ou ruim, depende do quanto e de como a companhia conseguiu transformar boas informações em boa notícias e informações ruins em notícias não tão ruins assim…
Não é fácil, mas é muito divertido!
bjs e até a próxima!
6 comments Agosto 1, 2008
